Primeira Lição: Ser Professor

Primeira Lição: Ser Professor

Primeira Lição: Ser Professor

Tempos difíceis fomentam saídas criativas. Esse é o bordão utilizado por comentaristas econômicos e equipes técnicas quando analisam o contexto de crises políticas e sociais, lição há muito sabida por quem trabalha na educação.

Durante muito tempo, o que alguns especialistas veem como novidade já é vivido por profissionais da educação e seus alunos há anos. São distintos os projetos, convênios e programas educacionais deslocados de realidades específicas e adaptados para outros ambientes (sala de aula e cabeça das pessoas) que não os comportam. Por isso, experimentar tem sido o verbo mais aplicado à educação; quando se pensa em mudança, somos meras cobaias.

O desafio das políticas públicas é encontrar, pela educação, saídas para diminuir os problemas sociais, quando a própria educação, nunca ocupou lugar de importância nos programas de ação dos governos. Porém, são os especialistas e técnicos que, sem vivenciar o dia a dia escolar, emitem relatórios e pareceres, documentos que reduzem o humano a números e dados estatísticos, análises que nunca reconhecem os problemas identificados como de ordem estrutural.

Aprendi, antes de ser professor, que a habilidade e sensibilidade são fundamentais para fazer as coisas bem feitas, pois somos o que fazemos. Hoje, esses valores são vistos como tolos e sem sentido, mas é o conhecimento que nos dá meios para viver, e a sabedoria, baseada em costumes antigos, nunca deve ser vista como ultrapassada.

Sustentados na elementaridade de sermos seres pensantes, o que assusta é quem não nos vê como importantes, emitem juízo de algo que desconhecem: as nossas necessidades, esforços e agonias, situações agravadas pela Pandemia do COVID-19.

Ser professor não se reduz à imagem de bom profissional, cumpridor de obrigações e zeloso no cuidado com os filhos alheios, como tem pensado muitos pais, mas, representa o próprio lugar de ressonâncias social, porque o professor também tem o raio X do social, situação que incomoda os poderes constituídos, por isso devem ser silenciados e enfraquecidos, a título de exemplo os desajustes políticos que afetam o MEC (Ministério da Educação).

Se para as crianças tudo é espantoso: uma minhoca, o peixe que não pisca, coisas que os técnicos não veem, infelizmente não podemos esperar que vejam o ser humano atrás do professor; não conseguirão entender que currículo não tem nada haver com excelência e amor, aquilo que fazemos; mas que as palavras só têm sentido quando revelam o ainda não está ali, e que o ato de falar não é fato natural, porque são as crianças que, sem falar, nos ensinam a razão de viver.  Não são as crianças que têm conhecimentos formais a transmitir, no entanto sabem o essencial da vida. O que muda o ser humano é aquilo que recebe ou faz com carinho e amor, por isso assumo: sou professor com muito orgulho. Respeitar o professor em época de Pandemia é uma forma de compartilhar esse amor.

 

Gleidson de Oliveira Moreira

Professor de História e

Doutorando em Antropologia Social (PPGAS/ UFG)


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